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Tema 4 - Ecossistemas aquáticos: onde começa o mar?

Os novos Planos de Região Hidrográfica, aprovados e em processo de aprovação, deveriam representar uma mudança qualitativa na gestão dos ecossistemas aquáticos, uma vez que a Diretiva-Quadro da Água (DQA) requer um enquadramento ecossistémico da gestão da água. No entanto, o conteúdo até agora conhecido desses planos não parece indicar uma verdadeira mudança dos modelos de gestão, alicerçada numa estratégia e financiamento próprios.

Os planos de bacia tentam fintar a DQA de diversas formas, das quais se destacam o uso de “engenharia metodológica” para justificar caudais ambientais insuficientes, que comprometem o bom estado ecológico dos rios e águas de transição, um uso deficiente dos indicadores biológicos e um abuso da designação de águas fortemente modificadas. Isto significa que, em muitos casos, os ecossistemas aquáticos sofreram um agravamento do seu estado ecológico real, o que requer um esforço acrescido no desenvolvimento de conhecimento científico que possa demonstrar a relação qualitativa e quantitativa entre os indicadores hidromorfológicos, biológicos e os níveis de pressão humana. A avaliação da eficácia dos programas de medidas previstos nos planos requer a monitorização do estado das massas de água, mas as redes de monitorização definidas permanecem inativas.

Novos desafios surgem com a implementação da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM) que, apesar de partilhar o objectivo de alcançar um bom estado e ter alguma sobreposição das áreas de intervenção com a DQA, define um conjunto de indicadores substancialmente diferentes. Face a este cenário, as questões principais deste tema deverão ser as seguintes:

  • Quais os riscos de incumprimento do objectivo de atingir um bom estado até 2015?
  • Os indicadores hidromorfológicos e biológicos utilizados nos planos de bacia são eficazes para identificar os efeitos das pressões humanas?
  • Que medidas de restauração de ecossistemas produzem bons resultados?
  • Quais as sobreposições e complementaridades entre a Diretiva Quadro da Água e Diretiva-Quadro Estratégica Marinha?
Conferências
  • A análise dos planos de bacia hidrográfica na perspetiva do seu impacto potencial sobre o estado ecológico das massas de água.
    Toni Munné (Agencia Catalana del Agua)
  • Qualidade ecológica na gestão de recursos hídricos em Portugal e Europa mediterrânea: quo vadis?
    Teresa Ferreira (Instituto Superior de Agronomia)
  • A DQA numa perspetiva marinha: que implicações tem para o mar?
    Jordi Salat (Centro Superior de Investigaciones Científicas-CSIC)
  • Desafios do planeamento de gestão de bacia hidrográfica em Portugal na perspetiva das águas costeiras e de transição.
    Fernanda Rocha (Agência Portuguesa do Ambiente)
  • Rumo a uma validação dos caudais ambientais com base em indicadores biológicos da DQA.
    Nuno Caiola (Programa de ecosistemas acuáticos-IRTA)
Coordenadores
  • Paula Chainho
    Centro de Oceanografia
    Universidade de Lisboa
  • Carles Ibañez
    Unidad de Ecosistemas Acuáticos
    Instituto de Investigación y Tecnología Agroalimentarías